Wednesday, October 10, 2012
poeminha de sexta-feira
Monday, August 13, 2012
Crescer
Tuesday, August 07, 2012
O gosto do domingo
Wednesday, July 25, 2012
Monday, April 23, 2012
Tuesday, April 17, 2012
Bem à sua frente estava a página em branco na tela do computador que mais parecia uma parede sufocante. A tradicional sensação de paz trazida pela cor branca estava desafiadoramente sendo substituída por uma agitação profunda, uma inquietude alarmante e um desespero orgânico. Como se não bastasse aquele estado de abobamento e a total incapacidade de seguir com coisas simples e necessárias, o tempo abafado e uma dor crônica na coluna iam se acumulando em um desconforto quase insuportável. Recorreu ao cafezinho, a abrir e fechar janelas, a bater um papo com a secretária e até ao Facebook, mas nada a fazia voltar à concentração. A verdade é que alguns dias são um saco do início ao fim. Coisas como acordar atrasado, entrar no banho e ser surpreendido por um chuveiro queimado, trânsito – mil vezes o trânsito! -, reuniões às oito da manhã, hora extra, esquecer de comprar uma lâmpada! Coisas assim se anunciam com o despertar e vão se desdobrando junto às horas. São os inferninhos cotidianos. E o tempo demora a passar, contrariando a certeza mundial de que ele voa. Ela pensa em Einstein, pensa em libélulas, pensa em revistas e no cara que conheceu no final de semana passado. Dois minutos mais. É incrível como o pensamento é rápido, e ela também pensa nisso. Deseja ter coragem para inventar um grave mal estar, um falecimento ou outra coisa que a leve para casa, mas o máximo que consegue é pedir uma licença para ir até a farmácia comprar um remédio para dor de cabeça. É claro que sim. Desce do oitavo ao térreo pelas escadas e se diverte com os passos curtos e rápidos que dá, como gostava de fazer na infância. Atravessou a porta e pisou na rua. Um vento. Bem melhor. Ia dar uma volta no quarteirão, haveria de ser o tempo certo de uma corrida na farmácia. Direita ou esquerda? Deu uma meia volta involuntária, corpo para um lado, pés para o outro, e seguiu pela direita. Chuva. Tempo abafado só pode dar nisso! Ergueu um pouco o rosto para sentir as gotas daquela chuva fininha refrescando suas bochechas e a parte descoberta de seu pescoço e de seu colo. Aquele cheiro de mato com água, as pessoas correndo de um lado para o outro com uma urgência apocalíptica e ela sem a menor pressa para voltar ao trabalho. Cruzando a última esquina, pensou em Einstein de novo.
Monday, April 16, 2012
Calor
Friday, April 13, 2012
Solidão
Solidão. Entrou naquele pedaço de qualquer coisa, meio escuro e muito sujo, pediu o que queria, ou melhor, pediu o que precisava e já ali puxou o fogo fixado à parede por um fio – sempre por um fio – e acendeu o cigarro, de filtro branco, pois saúde não é brincadeira. Seguiu caminhando na direção esquerda, muito incomodado com os cabelos que lhe cobriam os olhos e faziam cócegas nas bochechas, no vai-e-vem displicente do vento. Este, o vento, estava imperativo ao ponto de parecer conduzir os passos daquele garoto, que desvirtuava-se de seu rumo ao prazer da distração e da observação das folhas nas árvores, nos pedacinhos de conversa dos transeuntes e dos decotes gulosos das mulheres. Tudo passa, é o que dizem. Mas se fosse verdade que tudo passa não haveria razão para coisa alguma, não haveria esforço, não haveria planos, não haveria faculdade, aliança de casamento, chá de bebê ou retrô. Pode até ser que tudo passe, mas essa porra dessa solidão não passa nunca. O constante vazio e o desespero de se saber mortal. Noite passada o garoto dormiu no conforto dos seus sonhos, acreditando muito mais, tendo muito mais prazer e achando de verdade que isso podia fazer algum sentido. Mas com a manhã, o café, o espelho e a escova de dente, as ilusões perdem lugar e a única coisa que se pode fazer é fumar um cigarro, mas não tinha.
Friday, November 11, 2011
Horóscopo
Confesso que até o último mês estava viciada na leitura do horóscopo. Isso se deu em um período relativamente curto, de dois ou três meses. Cheguei a comentar com amigos, em tom preocupado. Não que eu seja cética em relação a isso, afinal ninguém resiste a uma previsão no jornal de domingo. Tem que ser muito mal humorada para isso! Mas eu não me contentava com apenas uma leitura. Eu lia a que chegava ao meu e-mail, lia outra e mais uma. Era o horóscopo do amor, o da carreira e comportamento. De uns dias pra cá, contudo, o vício deu lugar a uma espécie de aversão, que acredito ser a acompanhante de uma mudança de pensamento e postura que resolvi adequar a mim. No meio disso tudo, deparei-me com o seguinte miniconto, que comporta muito bem minha visão atual:
“Previsão”, de Rafael Rodrigues, da Revista Bravo!
Uma cigana leu sua mão. Matou-se ao fim do dia.
Monday, November 08, 2010
We take it!
A vida anda boa, anda corrida, anda bem chata às vezes... Terminar a faculdade, relacionamentos, futuro, medo... Qual a razão de nos guiarmos pelos eventos em nossa pequena porção histórica e não pelos pensamentos que temos no decorrer do tempo? Está tudo muito errado, então vamos desconstruir!
We take it!
Tuesday, April 22, 2008
2008!

Hoje estou na faculdade, não morando mais com a minha mãe e longe da cidade que tanto detestava. Pode parecer pouco, mas é um pouco mais. Hoje vejo certas coisas e quero certas coisas que nem passavam antes pela minha cabeça. Um mundo vai se abrindo e a gente agrega um pouco dele, a cada passo dado.
Agora, meus amigos têm uma presença diferente, aquilo em que eu acreditada deu lugar à uma grande crença que busco depositar em mim, minhas leituras se voltam para outro lado e me aliemto pouco daquilo que considerava essencial há um tempo atrás...
Quero ainda viajar para todos os lugares, ler mais, conhecer mais. Quero festas, passar dias numa praia, meus amigos reunidos para uma cerveja, um emprego legal, mas, acima de tudo, quero paz. Aquela paz boa, verdadeira e totalmente minha.
Monday, January 22, 2007
Frio na barriga
Te vejo nublado, não te vejo! Espero tantas coisas de você e espero muitas de mim, mais de mim... São tantas escolhas a fazer, coisas a serem deixadas para trás... Um medo e uma vontade que não têm tamanho!
O que será feito de você? O que será feito de mim?
Monday, December 04, 2006
Sunday, November 05, 2006
Cinco
Suas costas voltadas para mim
O abraço não é mais união
O abraço é desespero
Água em meus ouvidos
Consolo da verdade
Suas vontades, decifro
Através de uma leitura primária de sua boca
Água em minhas mãos
Nada pára
Matéria efêmera
Assim como você
A água sai e entra de meu nariz
Não sinto
Não sente
Ficamos assim
Água em minha boca
Afanada pelos dedos
Eles que encerram o escândalo
E tornam a me conduzir
Pois não sou eu quem provoca meus gestos
São eles que me provocam.
Sunday, October 22, 2006
A árvore é a minha vida
Um ramo é o homem com quem irei me casar e as folhas, meus filhos.
Outro ramo é meu futuro como escritora. E cada folha é um poema.
Outro ramo é uma brilhante carreira acadêmica.
Mas enquanto fico sentada tentando escolher, as folhas começam a ficar marrons e cair...
Até a árvore ficar completamente nua.
Sylvia Plath
Saturday, October 14, 2006
Memórias do subsolo
Memórias do subsolo
Fiodor Dostoievski
Saturday, May 13, 2006
Sunday, January 29, 2006
as pequenas coisas da vida
Água fria no quadrado escuro
Quebradiça vermelha na louça rosa
Luz larga para o receptor estreito
Vida branca para o caminho colorido
Pequeno equilíbrio da construção infinita
Contínua libido no inédito armazém
Desentendido movimento nos desformes dentes
...
Paula Vivacqua

